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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A segurança, a imagem e os negócios

O jornal O Dia online noticiou no dia 16 de Agosto de 2011 que a Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro referiu que o processo de implantação de uma nova política de segurança pública no Rio de Janeiro,  tem tido óptimas repercussões na imagem da cidade e na segurança dos cidadãos, com inequívocas vantagens para o comércio.
Presidente da Câmara Portuguesa referiu que “A insegurança afasta o capital e, antigamente, qualquer turista temia vir ao Rio. Hoje, eles mesmos dizem que a segurança mudou. O mercado está aquecido”, mostrando uma revista alemã que retratava o trabalho de policiais das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) com crianças.

Veja a notícia completa: Segurança que atrai turistas e negócios

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Brasil: Menos dinheiro na caixa, menor risco de ficar sem ele!


A EPTV COM noticiou que o aumento de assaltos ao comércio de bairro em Ribeirão Preto fez com que os estabelecimentos tomassem medidas, deixando de receber o pagamento de contas da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).
A CPFL, à semelhança de inúmeros serviços no Brasil e em Portugal, possui uma rede de estabelecimentos credenciados para receber o pagamento das suas contas.
Todavia, o uso pouco frequente de sistemas de pagamento sem recurso a dinheiro (como cartões) tem levado à acumulação de grandes somas de dinheiro – um atractivo para os criminosos.
O aumento dos assaltos a estabelecimentos credenciados pela CPFL tem levado alguns comerciantes a cancelar as suas ligações à empresa distribuidora de energia para garantirem maior segurança.

Veja a vídeo reportagem e leia a notícia em:

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Tiroteio no Colombo: vigilância e segurança privada

Na sequência do “Tiroteio no Colombo” ocorrido no passado dia 25 de Junho e noticiado pela LUSA e outros órgãos de comunicação social, o Diário de Notícias noticiou que a Associação Nacional de Vigilantes (ANV) reclamou mais poderes para os seguranças privados poderem intervir nestes casos, nomeadamente, a utilização das armas eléctricas, vulgarmente conhecidas por taser.
Como é habitual nestas circunstâncias, o enfoque da discussão está descentrado.
Sabe-se por experiência e reflexão científica que o aumento de meios coercivos para responder a ameaças tende a agravar o potencial da agressão.
Ou seja, armar os seguranças privados com essas ou outras armas, significará a breve trecho, um aumento da gravidade das agressões violentas a seguranças privados.
O objectivo deste blogue é incentivar a prevenção da criminalidade, especialmente aquela que atinge o comércio e dentro deste, especialmente o tradicional utilizando metodologias inteligentes e passivas, assentes em conhecimentos científicos e práticos da criminologia, aplicando a análise de risco e a alteração do meio e da conduta da potencial vítima.
A prevenção do crime faz-se, essencialmente, através da intervenção na cadeia de factos e acontecimentos que proporcionam e potenciam o delito.
Isso deve acontecer através da (1) imposição de condicionantes à motivação humana e (2) através da redução das oportunidades.
Neste prisma, não podemos deixar de criticar de forma útil e construtiva quaisquer posturas que pugnam por um aumento dos meios coercivos dos cidadãos (sejam ou não seguranças privados), como forma de prevenção do crime.
Apesar da popularidade do argumento, mais armas, simplesmente não resolvem o assunto!
O caminho é o inverso e sobre a missão da segurança privada, há que compreender o seguinte:
1.    A segurança privada é “subsidiária e complementar da actividade das forças e dos serviços de segurança pública do Estado” (artigo 1.º, n.º 2 do Decreto-lei n.º 35/2004, de 21 de Fevereiro) e apesar da sua importância, quer na protecção de pessoas e bens quer na prevenção e dissuasão da prática de actos ilícitos, ela continua a ser distinta da segurança pública porque tem um carácter exclusivo, ou seja, o seu objectivo é essencialmente a protecção de interesses privados em domínio privado.
2.    Contrariamente à segurança privada, as forças e serviços de segurança têm um carácter inclusivo, ou seja, servem todos e não apenas alguns.
3.    O interesse público da segurança privada, a que alude o actual quadro legislativo não pode ser dissociado da componente de exclusividade do seu serviço, bem como do carácter complementar e a subsidiário da actividade face às competências desempenhadas pelas forças e serviços de segurança.
4.    Esse “interesse público” existe de facto e tem diversas dimensões das quais destacamos algumas que julgamos mais importantes:
a.    A existência de segurança privada legal a operar regularmente em domínio privado, alivia a carga das forças e dos serviços de segurança, porque a sua existência em determinados espaços garante a vigilância e a prevenção de condutas lesivas e, se estiver bem organizada e percebendo bem o seu objectivo, proporciona a comunicação atempada e correcta dessas condutas às forças e serviços de segurança apenas quando as mesmas ocorrem e, assim, permite que as forças e serviços de segurança possam empenhar mais recursos, durante mais tempo, na vigilância dos espaços públicos;
b.    A existência de vigilantes bem identificados junto de uma determinada “clientela” deve invocar em primeiro lugar um auto-controlo de cada indivíduo pertencente ao grupo da “clientela” – os contratantes e os beneficiários colaterais do serviço de vigilância.
c.    Um dos aspectos importantes da prevenção criminal com recurso às teorias da prevenção situacional (Clarke) e do policiamento orientado (Goldstein) é a redução de factores de provocação da conduta lesiva / criminosa / indesejável. A postura amistosa e colaborante de um vigilante presente, firme e com soluções para oferecer é mais importante do que um guarda pronto a expulsar ou deter alguém com recurso à postura ameaçadora, ao músculo ou a qualquer tipo de arma.
d.    Na possibilidade ou eminência dessa necessidade, o segurança privado deve recorrer às forças de segurança.
5.    Assim, o segurança privado deve funcionar cada vez mais como um assistente e menos como um guarda se quiser obter bons resultados na prevenção de condutas indesejáveis – o seu papel não é repressivo e a sua postura não deve ser militarista. Na medida do possível e contrariamente ao que acontece em Portugal, a sua apresentação deve ser menos agressiva, não recorrer a uniformes de estilo militar e abandonar ideários militaristas, da força, da reposição da ordem e da repressão criminal – não é esse o seu papel!!!
6.    A segurança privada deve estar tão próxima quanto possível de uma participação da sociedade civil na segurança individual e colectiva.
A segurança privada é um recurso de segurança valioso porque introduz o factor humano da vigilância, personalizando-a e emprestando ao dispositivo ou sistema de segurança de um estabelecimento ou espaço privado, a capacidade de interacção com o cliente de forma não opressiva.
Na grande maioria das vezes, o papel do segurança privado no domínio privado é o de prestador de informações e de orientador do cliente. Esse papel é idêntico à maior parte da actividade policial em domínio público.
Actualmente, o regime jurídico da segurança privada prevê actores novos. O preâmbulo do Decreto-lei n.º 35/2004, de 21 de Fevereiro indica claramente que o director de segurança bem como os formadores de segurança privada vão dispor de formação específica especialmente dirigida à obtenção dos conhecimentos teóricos e práticos necessários para que o pessoal de vigilância desempenhe cabalmente as suas funções”.
Ora, seria desejável que essa formação assentasse primordialmente nos aspectos da verdadeira prevenção, focando especialmente a Teoria da Prevenção Situacional e as teorias de suporte como a Routine Activity Theory, a Criminologia Ambiental e a Teoria criminológica da Escolha Racional.
Voltaremos a este assunto. Até breve!

Leia ainda: Routine Activity Theory

Notícias do Diário de Notícias:

terça-feira, 21 de junho de 2011

Assaltos a ATM em Portugal: SIBS reage a notícias

A agência noticiosa LUSA, noticiou no dia 17 de Junho de 2011 que os assaltos a caixas multibanco diminuem desde 2009, embora os criminosos apliquem técnicas mais violentas. A informação foi veiculada pela SIBS – Sociedade Interbancária de Serviços SA, que acrescentou estar a preparar novas medidas dissuasoras.

A SIBS informou que, nos últimos meses, se tem verificado “o crescimento de novas formas de assaltos que eram novas em Portugal caracterizadas por uma violência” para a qual "… o país não estava preparado".
A SIBS admite que a maior violência e espectacularidade põem pela primeira vez em risco a segurança pública.

Aparentemente, os ladrões têm assaltado máquinas sem dispositivo de tintagem. A SIBS adiantou que as medidas dissuasoras podem passar pelo sistema de tintagem ou outros sistemas de segurança, como a redução do dinheiro disponível, com vista à “redução do benefício e do potencial de ataque”.

«Segurança no Comércio» sabe que, no Brasil, onde os assaltos com explosivos a caixas multibanco têm registado contornos alarmantes, a tintagem de notas é aplicada mas corre uma campanha das autoridades para que os comerciantes não aceitem esse dinheiro marcado. Aparentemente, o problema tem também passado pela aceitação de notas marcadas em transacções legítimas, fazendo perder o rasto a dinheiro furtado e aos responsáveis pelo crime.

Segundo José Luís Batista, administrador da SIBS em declarações à comunicação social, os assaltos às caixas Multibanco “são fenómenos com período temporal definido” e, apesar de causarem alarme, são “residuais” na rede de 14 mil equipamentos geridos pela SIBS.

Por outro lado, afirmou que os prejuízos causados pelos rebentamentos das caixas multibanco estão cobertos pelas seguradoras dos bancos proprietários ou das empresas de segurança que têm o equipamento à sua guarda.

De acordo com as mesmas fontes, esses seguros cobrem também os prejuízos registados nos edifícios.

A maior parte das tentativas e assaltos concretizados ocorreu em áreas isoladas fora dos grandes centros urbanos, onde o movimento de pessoas e o patrulhamento proporcionado pelas forças de segurança territorialmente competentes é mais reduzido.

A propósito deste tema veja a notícia do Público em: Assaltos a caixas Multibanco diminuem mas técnicas são mais agressivas.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Proposta da PSP para videovigilância de Leiria pode beneficiar 277 estabelecimentos comerciais

A agência noticiosa LUSA anunciou no dia 16 de Maio de 2011 que o projecto de videovigilância para o centro da cidade de Leiria, elaborado pela PSP , prevê a instalação de 45 câmaras de videovigilância.
O Comandante Distrital da PSP em Leiria, Intendente Rui Conde, sublinhou que a proposta de videovigilância é feita no âmbito do Contrato Local de Segurança (CLS) de Leiria, podendo ainda sofrer alterações.
O CLS de Leiria compreende uma área de 41 hectares, o Centro Histórico e ruas adjacentes, onde residem 1.500 pessoas, existem 277 estabelecimentos comerciais e 80 estabelecimentos de restauração, além de 32 serviços de utilidade pública.
O comandante da PSP de Leiria assinalou a importância da videovigilância enquanto ferramenta de prevenção da criminalidade.
Todavia, acentuou que a videovigilância não substitui o elemento humano no policiamento.
Até ao final do ano, várias entidades comprometem-se a desenvolver, além da videovigilância, um conjunto de acções de intervenção e prevenção da criminalidade e do comportamento anti-social como a intensificação do sistema de iluminação e o incentivo dos comerciantes à adopção de medidas passivas de segurança.
O presidente da Câmara Municipal de Leiria, Raul Castro, adiantou aos jornalistas que, assim que a Comissão Nacional de Protecção de Dados autorizar a implementação do sistema de videovigilância, a autarquia que, juntamente com os comerciantes, deverá custear a videovigilância, abrirá o respectivo procedimento para a sua instalação.
Até breve!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O que desaparece da minha loja?

Apesar do que possam dizer os “especialistas em segurança” que vão aparecendo um pouco por todo o lado, não existe forma de adivinhar de que forma a crise económica pode afectar as estatísticas do crime contra o património.
É verdade que o senso comum alerta para a possibilidade de momentos de crise económica significarem um aumento dos riscos e não faz mal algum tomar medidas preventivas.
Nesta área existem estudos para todos os gostos, mas é difícil relacionar directamente a potência da economia, a prosperidade ou a miséria à flutuação das taxas de criminalidade. Existem regiões, países e cidades pobres e ricas com taxas de criminalidade baixas e altas, diferentes e semelhantes.
Aparentemente, uma relação mais fácil de estabelecer é entre o crime e a desigualdade social e económica. Ou seja, quando existe um afastamento entre os mais ricos e os mais pobres numa sociedade em que a classe média se extingue progressivamente, é comum surgirem fenómenos de perturbação da ordem pública e de criminalidade complexos e frequentemente violentos.
É também difícil associar a ocorrência do furto no comércio à satisfação das necessidades básicas imediatas dos seus autores.
Diversos estudos têm demonstrado que, na esmagadora maioria das ocasiões, as pessoas que subtraem artigos das lojas não se focam em bens de primeira necessidade, mas em artigos de vestuário e calçado de marcas prestigiadas, cosmética, tecnologia, diversão ou outros de valor considerável.
Os artigos alimentares subtraídos parecem ser inevitavelmente os luxuosos e não os básicos. Furtam-se frequentemente guloseimas, produtos gourmet e bebidas espirituosas e raramente pão, leite, fruta, ovos ou queijo corrente.
É muito difícil, portanto, afirmar que a maioria das pessoas que furta das lojas tenha uma necessidade básica e imediata a satisfazer. As pessoas nessas circunstâncias dramáticas de pobreza precisam de ajuda e, por norma, procuram-na.
Qualquer das edições publicadas do Global Retail Theft Barometer (2007, 2008, 2009) indicou que os artigos mais subtraídos dos estabelecimentos dos 32 países que participam no estudo, incluem produtos caros e de marca: cosméticos (para mulher ou para homem – um mercado emergente), bebidas alcoólicas, roupa de senhora, bijutaria, acessórios de moda, perfumaria, DVD e CD, jogos e consolas de vídeo, pequenos artigos eléctricos e electrónicos.

Em Portugal, a 3.ª edição do estudo Barómetro Nacional da Quebra Desconhecida, elaborado pela Premivalor Consulting, confirma as análises internacionais e os estudos criminológicos.
Ao analisar a grande distribuição e as empresas que possuem estabelecimentos de dimensão significativa ou compostos por cadeias de lojas, o Barómetro Nacional da Quebra Desconhecida revelou que as quebras nos stocks incidem especialmente em produtos como as bebidas alcoólicas, os cosméticos e as lâminas de barbear. Em resultado e segundo o mesmo estudo, os cosméticos encontram-se entre os artigos indicados como prioritários ao nível de protecção, seguidos pelos acessórios de moda, CD, DVD e jogos de vídeo, bem como, os pertencentes à área do têxtil para o lar.
Já aqui referi o tema dos Hot Products.
A propósito do tema, o professor Read Hayes publicou em 1999 no Security Journal n.º 12 o artigo  Shop Theft: An Analysis of Shoplifter Perceptions and Situational Factors no qual inclui uma tabela na qual estão discriminados os artigos mais furtados.

A tabela continua a ter grande validade para quem se dedica ao comércio, pelo que sugiro a sua análise.
Relacione-a com a minha mensagem sobre os Hot Products, onde faço referência ao acrónimo CRAVED e tente equacionar medidas especiais para esses produtos.

Até breve!

Clique na imagem para aumentar:

terça-feira, 3 de maio de 2011

A insegurança é um problema de todos


Por via das exigências da sociedade, a Polícia multiplicou as suas funções, havendo, nos últimos anos, um grande desenvolvimento ao nível da formação, da renovação de quadros e na adopção de novas filosofias de actuação.
Na vanguarda desta alteração de visões, a Polícia de Segurança Pública adoptou para si uma Filosofia de Actuação Policial que, entre outros factores determinantes preconiza a compreensão (1) “de que o cidadão ocupa um papel central no sistema de segurança interna (…) devendo as autoridades estimular a participação destes nas acções de prevenção da criminalidade” e (2) “de que o combate à criminalidade é pluri-vectorial e não apenas uma questão de eficácia da polícia, compreendendo, a par de questões de natureza operacional, questões de natureza política, institucional, jurídica e social.”
O primeiro aspecto diz-nos que a Polícia tem o dever de reconhecer a intervenção do cidadão como essencial à segurança interna e, por isso, deve de trabalhar junto dele e motivá-lo a participar activamente nas tarefas de prevenção criminal.
Em segundo lugar, refere-se que o combate à criminalidade não cabe apenas à Polícia, é uma responsabilidade de todos os indivíduos e instituições, sejam elas públicas ou privadas.
A propósito da partilha de responsabilidades, Herman Goldstein referiu na sua obra Policing a Free Society, editada em 1977 pela Ballinger Publishing que “temos de restaurar o equilíbrio de responsabilidades entre os cidadãos e as polícias, uma vez que o controlo social eficaz não poderá ser alcançado apenas com recurso aqueles que são contratados para o efeito.”
A Polícia tem um duplo papel. Uma vertente preventiva da criminalidade que se consubstancia com o policiamento proactivo e com o contacto pedagógico com os cidadãos e instituições, ainda que não exista qualquer ocorrência delituosa. Uma segunda vertente eminentemente repressiva, quando se encarrega de actuar contra os factores de geração de insegurança.
O papel repressivo da polícia apenas faz sentido quando todos os níveis e instituições na sociedade livre já falharam ou foram ultrapassadas.
O envolvimento da comunidade na educação para a profilaxia da delinquência, auto - protecção e prevenção da criminalidade é essencial para a tarefa comum de manter a nossa sociedade segura, livre e próspera.
A propósito do aumento da criminalidade violenta e do sentimento de insegurança nos Estados Unidos da América, a revista Policy Review, n.º 74, de 1995, publicou o artigo The Beat Generation: Community Policing at its Best de dois especialistas de política e de economia, William D. Eggers e John O'Leary, que referia o seguinte:

“Até que os bairros se tornem novamente seguros, não poderão prosperar económica ou socialmente. Esperar que o Governo melhore a situação é adoptar uma estratégia, à partida, derrotada. As pessoas têm de se envolver mais no processo de garantir a sua própria segurança.”

Os mesmos autores acrescentaram:

“Diz-se que para cada problema difícil existe uma solução simples e elegante que está errada. Para a questão da criminalidade a resposta simples é ‘Precisamos de mais polícias e precisamos de mais prisões’. Apesar de ser extremamente popular (...) entre os políticos, esta abordagem acrescentará muito pouco à melhoria da segurança pública.
A melhor força policial do mundo não pode tornar segura uma comunidade na qual as pessoas não possuem qualquer consideração pelas vidas e propriedade das outras. Não existe qualquer dúvida de que a penalização rápida e correcta da actividade criminal é uma componente importante de uma política de segurança eficaz.
Todavia, a melhor defesa contra o crime não é a frágil barreira proporcionada pela Polícia, mas uma comunidade de indivíduos que se respeitem mutuamente.”

Construir a segurança está nas mãos de cada um de nós e esta é uma causa que merece o nosso envolvimento.
Seja agindo preventivamente para reduzir os nossos próprios riscos de vitimação, seja apoiando a comunidade ou exigindo das estruturas políticas, da Administração e das entidades privadas, medidas adequadas a prevenir a criminalidade, a delinquência ou outras formas de conduta anti-social, cada um de nós tem de estar envolvido e empenhado.

Até breve

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Segurança no Comércio: encarar a realidade! – II


No estudo "Criminalidade e Adaptação: Percepções e Estratégias dos Comerciantes da Cidade de Elvas" apliquei um inquérito aos lojistas de 56% da totalidade da estabelecimentos de comércio tradicional da cidade.
Procurei explorar junto dos comerciantes (1) qual era a sua percepção relativamente aos principais problemas da sua actividade, (2) como avaliavam os riscos de vitimação por furto com arrombamento, escalamento ou chave falsa, um crime com grande impacto no momento anterior ao estudo e (3) que estratégias mais frequentemente preconizavam para a prevenção destes e de outros fenómenos criminais dirigidos aos respectivos estabelecimentos.
As respostas às principais perguntas foram muito interessantes para desfazer alguns juízos nos quais, muitas vezes, nos precipitamos.
Em primeiro lugar, apesar dos discursos públicos e a comunicação social apontarem a criminalidade como um grande problema da cidade e, especialmente do comércio, os três principais problemas identificados pelos comerciantes de Elvas foram por ordem de importância, a “Falta de poder de compra dos clientes” (91,1%), “O IVA demasiado alto” (83,5%) e a “Concorrência espanhola” (51,9%).
A preocupação com “A falta de segurança” surgiu como a quarta razão apontada pelos comerciantes, apenas referida em 19% dos casos.
No prisma inverso, estes dados demonstram que, no momento do estudo, 80,6% dos inquiridos não considerava a falta de segurança, um dos problemas prioritários do comércio de Elvas. Recordo que estamos a referir-nos à opinião de cerca de quase 250 estabelecimentos comerciais, correspondendo a 56% do universo apurado.
Esta posição era divergente dos discursos públicos veiculados pela comunicação social que frequentemente se referiam a assaltos e à falta de respostas policiais e judiciais.
As grandes preocupações dos comerciantes de Elvas, no momento do estudo, eram essencialmente económicas mas essas preocupações contribuem para a instalação de um sentimento de insegurança generalizado que encontra no crime e no medo de vitimação, a sua expressão máxima.
A este propósito, Sebastian Roché na sua obra Le Sentiment d'insécurité, editado pela Presses Universitaires de France em 1993, define o sentimento de insegurança como o conjunto das manifestações de medo pessoal ou das preocupações com a ordem, verbais, comportamentais, individuais ou colectivas, ou seja, o sentimento de insegurança é uma construção da realidade, assente por um lado, nos medos e, por outro, nas preocupações.
O sentimento de insegurança é, então, a composição indissociável de medos e preocupações de natureza social, patrimonial, cívica, emocional, de integridade e dignidade pessoal.
São essas as preocupações que, mais profundamente, se inscrevem nos indivíduos e que, adicionadas ao discurso do medo e à percepção dos riscos, se transformam num sentimento de insegurança que, para utilizar o termo empregue por Roché, se vai “cristalizar” sobre um objecto, o crime.
Quando tal acontece, gera-se frequentemente uma procura de respostas compensadoras, com base num reforço securitário, revelando uma tendência para o apelo ao endurecimento das condutas repressivas do Estado.
Foi precisamente essa a conclusão que retirei do caso elvense, como adiante se exporá.
Na opinião da maioria dos comerciantes inquiridos (59,1%), a criminalidade em Elvas aumentara na última década. Apenas 6,3% consideraram que o fenómeno não aumentara, mas era apenas diferente no momento dos inquéritos.
Dos inquiridos que referiram que a criminalidade estava a aumentar ou estava diferente, 65,4% apontaram como três principais razões, por ordem de importância: o desemprego (73,5%), a crise económica (65,8%) e a liberdade de circulação na fronteira luso – espanhola (43,9%).
Por “diferente” leia-se: com métodos até então raros, eventualmente mais destrutivos ou violentos como o arrombamentos de portas, montras partidas, etc.
Na generalidade, a projecção que os comerciantes de Elvas inquiridos fizeram da possibilidade dos seus estabelecimentos comerciais serem futuramente alvo de assalto distribuiu-se da seguinte forma: a esmagadora maioria (70,9%) referiram que seria «muito provável» ou «provável» serem vítimas de assalto, contra 22,8% que referiram que seria «pouco provável». Havendo ainda 3,8% que davam como certo virem a ser vítimas de assalto.
Esta representação do risco é condizente com a percepção do desenvolvimento positivo da criminalidade descrito concluindo-se que uma boa parte dos comerciantes elvenses se sentia vulnerável e temia um futuro em que a vitimação lhe parecia altamente provável.
Todavia, da leitura que se faz das suas opiniões sobre as estratégias a implementar para o controlo da criminalidade, percebe-se um grande pendor para a adesão a soluções de base estatal e eminentemente repressiva, sendo que a “privatização do risco”, ou seja, as iniciativas individuais de autoprotecção, não pareciam colher muitos adeptos. Essa conclusão pode extrair-se do confronto das soluções mais apontadas para a resolução do problema da criminalidade – maior rigor dos tribunais a aplicar a lei (62,4%), penas mais pesadas (56,5%), mais polícias (54,4%)e as menos apontadas – maior cuidado dos cidadãos, com apenas 4,6% e investimento das vítimas em meios de segurança passiva, com 2,1% das respostas.
Mas encaremos a realidade. Onde está de facto a primeira linha de resistência contra a vitimação?
Diria que é na potencial vítima. Isso mesmo! Eu e o leitor!
Ora sabendo que é o comércio tradicional, aquele que sente com maior impacto a quebra devida a furtos, roubos, fraudes, incivilidades e outras ocorrências nefastas, é necessário que, quem está desse lado e sente estes problemas, aprenda a agir preventivamente, se cultive, se organize e os enfrente de forma mais esclarecida e preparada.
Irei procurar partilhar o que sei sobre prevenção criminal dirigida aos problemas do comércio, especialmente o tradicional, ao estilo “faça você mesmo” e espero, não só que me acompanhe, mas que partilhe comigo as suas ideias, me ponha questões e problemas, fazendo-me pensar consigo.
Entretanto, convido-o a consultar ou fazer gratuitamente, o download da minha dissertação a partir do repositório da Universidade de Lisboa em: http://repositorio.ul.pt/handle/10451/1062.
Peço-vos apenas o seguinte: façam como eu, respeitem a autoria das ideias e, caso utilizem os dados do estudo em trabalhos escolares, científicos ou relatórios de trabalho, não se esqueçam de o citar convenientemente. Se precisarem de ajuda, contactem-me através do endereço de correio electrónico que disponibilizo neste blogue.
Até breve!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Segurança no Comércio: encarar a realidade! – I

Os dados do Barómetro Nacional do Furto no Retalho da PremiValor Consulting relativos ao ano de 2009, revelaram que, entre os entrevistados no seu estudo, a quebra desconhecida se situou em 1,03% do volume de vendas, correspondendo a valores próximos dos 14.310 milhões de Euros.
Se olharmos para os dados do Global Retail Theft Barometer 2009, poderemos observar que, contrariamente ao que foi apurado no referido estudo português, registou-se entre os 41 países alvo do estudo, um aumento médio de 5,9% na quebra desconhecida, significando 1,43% das vendas globais e um prejuízo de cerca de 115 mil milhões de dólares americanos, ou seja, cerca de € 79,5 mil milhões de Euros.
No Reino Unido, os dados de 2010 da Federation of Small Businesses uma organização de pequenos retalhistas que representa cerca de 210 mil comerciantes de mais de 200 ramos de retalho distintos, revelam que 64% dos seus membros terão sido vítimas de crime em 2009.
Estima ainda que o custo médio anual do crime contra cada um dos estabelecimentos de pequeno comércio associados, terá rondado nesse período, as £ 2900 (Libras esterlinas), ou seja, € 3300 (Euros).
Se nos abstrairmos das grandes superfícies, das cadeias de franchising e de outros negócios cuja estrutura engloba uma multiplicidade de estabelecimentos e nos focarmos apenas no pequeno comércio, aquele que é tradicional, persiste no bairro, cuja loja é representativa da totalidade ou quase totalidade do investimento e do rendimento do comerciante que a explora, temos na quebra um problema cuja dimensão, ainda não é suficientemente conhecida, mas que tem certamente repercussões dramáticas para a sobrevivência do negócio e para as pessoas cuja subsistência dele dependem.
Esses comerciantes são os que trabalham com margens de lucro mais curtas, que têm menores possibilidades de balancear preços entre os artigos que vendem e que têm menos hipóteses de garantir um investimento continuado em sistemas, pessoal e dispositivos de segurança avançados, cuja utilidade é inequívoca mas nem sempre são acessíveis a todos.
Foi precisamente sobre este universo do comércio tradicional que incidiu o meu estudo, "Criminalidade e Adaptação: Percepções e Estratégias dos Comerciantes da Cidade de Elvas", uma dissertação no âmbito do Mestrado em Comportamento Desviante e Ciências Criminais da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, defendida em 2008.
Esse estudo incidiu sobre os comerciantes do comércio tradicional da cidade de Elvas, e procurou apurar (1) qual era a sua percepção relativamente aos principais problemas da sua actividade, (2) como avaliavam os riscos de vitimação por furto com arrombamento, escalamento ou chave falsa, um crime com grande impacto no momento anterior ao estudo, bem como (3) que estratégias mais frequentemente preconizavam para a prevenção destes e de outros fenómenos criminais dirigidos aos respectivos estabelecimentos.
Todas as respostas foram interessantes e reveladoras quer de percepções, quer de estratégias difusas.
Falarei um pouco delas na próxima mensagem.
Até breve!