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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mais sobre Prevenção Situacional

Quando mencionei o tema da Routine Activity Theory, referi que esta teoria sintetiza as condições necessárias e suficientes para que o crime ocorra, a saber:

1 - Um alvo adequado e disponível;

2 - Um potencial criminoso devidamente motivado e

3 - A ausência de um “guardião” (seja uma figura de autoridade, protecção ou qualquer outro elemento humano ou tecnológico que desmotive o delinquente).

Esta abordagem celebrizou-se pelo acompanhamento de um gráfico triangular que corresponde à relação dos três parâmetros básicos do problema: vítima / alvo, delinquente e “guardião”. Esse gráfico é conhecido como Problem Analysis Triangle ou triângulo de análise.

Ora, enquanto o triângulo de análise ajuda a esquematizar o problema, constituindo-se como uma ferramenta de análise, a
Prevenção Situacional é o método que procura criar um modelo de intervenção especifico para cada problema.

Procurando conhecer o conjunto de situações que facilitam o crime (as oportunidades), a teoria da
Prevenção Situacional preconiza uma estratégia de prevenção assente em 5 modalidades de acção complementares:

1 - Aumentar o esforço do criminoso para atingir os seus objectivos;

2 - Aumentar os riscos do cometimento do crime;

3 - Reduzir a recompensa ou benefícios obtidos através da prática do crime;

4 - Suprimir as causa de justificação mais comuns que os criminosos detectados utilizam para justificar a sua conduta e desculpar-se;

5 - Reduzir ou evitar qualquer procedimento ou conduta que possa provocar ou incitar as pessoas a cometer crimes.

Estas cinco condutas destinadas à redução das oportunidades do criminoso podem ser expandidas numa lista de
25 técnicas de prevenção situacional.

Irei falar delas em breve, em todo o caso, poderão consultá-las a partir do site do
Center for Problem Oriented Policing, ou clicando AQUI.

Recomendo que releia:


Routine Activity Theory

Situational Crime Prevention: A Prevenção Situacional

A ocasião faz o ladrão!

Espero pelos seus comentários e questões!

Até breve!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Quebra desconhecida: Algumas medidas preventivas do furto – Parte II

Na sequência da última entrada com o mesmo título, irei continuar o elenco de algumas práticas úteis à prevenção dos furtos nas lojas.

O seu pessoal é um recurso imprescindível na prevenção de furtos nas suas lojas. Aposte na sua motivação e mantenha-os informados e formados. Vai necessitar de funcionários profissionais e competentes: a simpatia, a capacidade de interagir de imediato com o cliente mostrando-se disponível, atento e assistindo-o sem ser demasiado ostensivo, são qualidades inestimáveis que inibem a maior parte das condutas lesivas para o seu negócio.

Esforce-se por implementar ainda as seguintes medidas em complemento das 9 anteriormente referidas:

10. Inclua nas suas políticas internas um conjunto de regras sobre o atendimento ao público e alerte frequentemente os seus funcionários para a importância da prevenção de furtos no interior da loja.

11. O seu pessoal deve olhar francamente para os clientes que entram na loja, deve cumprimentá-los e apresentar-se de forma simpática. Esta postura significa “boas-vindas!”, mas também indica que o cliente não passou despercebido.

12. Para ajudar os seus funcionários nesta tarefa, coloque uma campainha ou sinal luminoso e/ou sonoro que marque cada nova entrada no seu estabelecimento. Esse sinal servirá como alerta para ambos (funcionários e clientes).

13. Ao lado da porta pinte ou coloque uma régua. Não precisa de a marcar metricamente, ela servirá apenas de referência visual. Em caso de necessidade, o momento do contacto visual com o cliente à entrada, juntamente com esta referência, apoiarão um retrato falado do suspeito. Se o seu funcionário olhou para o cliente quando este passava junto da porta, conseguirá mais facilmente indicar qual era a sua estatura.

14. Os funcionários deverão estar sempre a par dos valores da mercadoria. Esta noção ajudará a detectar a troca de preços porque no momento do registo, o empregado que conhecer os preços irá notar que algo não está correcto.

15. Lembre-se sempre que a sua prioridade é a prevenção e não o "combate ao crime", releia a entrada Como reagir em caso de assalto? e instrua correctamente os seus funcionários para que saibam exactamente o que fazer sem terem de se colocar em risco.

A propósito desta temática consulte ainda:

Situational Crime Prevention: A Prevenção Situacional
Routine Activity Theory
A ocasião faz o ladrão
Hot Products
O que desaparece da minha loja?
Shrinkage: A Quebra Desconhecida
Quebra Desconhecida: Quanto anda a perder
Quebra Desconhecida: Como reduzir a quebra nos inventários
Quebra desconhecida: Algumas medidas preventivas do furto – Parte I

Aguardo os seus comentários e as suas questões.

Até breve!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quebra desconhecida: Algumas medidas preventivas do furto – Parte I



Retomemos o tema da Quebra Desconhecida, no seguimento dos posts anteriores:


Aplicando os princípios da Prevenção Situacional poderemos com relativa facilidade implementar medidas preventivas de furto na sua loja. As medidas que irei sugerir passam, essencialmente, pela disposição escolhida para os expositores de produtos, implementação de medidas simples para a melhoria da vigilância da loja e formação dos funcionários para o atendimento ao público.

Neste caso, aplicar os conhecimentos da Prevenção Situacional significa (1) reduzir as oportunidades para a ocorrência dos furtos, (2) aumentar a dificuldade e o risco das tentativas de furto, especialmente dos artigos de maior valor, (3) reduzir as recompensas da prática do furto, (4) abalar a confiança dos criminosos, relativamente ao sucesso da conduta criminosa.

Passemos em revista algumas boas-práticas de prevenção:

1.    Já referi anteriormente que a disposição de cada elemento, mobiliário, expositor, artigo na loja, é essencial a garantir a melhoria da capacidade de vigilância do espaço. Um espaço bem desenhado, estruturado e arrumado não elimina os riscos mas contribui substancialmente para a sua redução. O ideal é ter o centro da loja desimpedido, mas sendo a tarefa difícil, tente organizar o espaço de molde a obter corredores mais curtos e mais largos. Isto facilitará a vigilância desses espaços e colocará pessoas mal-intencionadas numa situação menos confortável para furtarem artigos.

2.    Uma boa iluminação dos espaços é também útil para dificultar o furto. Apesar de ser importante garantir a uniformidade de iluminação em todo o espaço, em caso de dificuldade, aposte essencialmente na iluminação de pontos de menor visibilidade.

3.    Expositores especiais e promocionais devem ser colocados em planos baixos em pontos centrais da loja para que possam ser apreciados sem que perturbem a visibilidade dos funcionários em relação a outras áreas do estabelecimento.

4.    A utilização de espelhos colocados em pontos altos e incidindo sobre “zonas mortas”, acrescenta capacidade de vigilância sobre espaços de difícil controlo sem que os funcionários se tenham de deslocar sistematicamente. Existe uma loja de marca que utiliza um décor-tipo que inclui a colocação de espelhos, todavia, do prisma de segurança, essa empresa quebra todas as regras em nome da estética: coloca esses espelhos (sempre grandes e com moldura) por detrás dos balcões de atendimento, permitindo aos clientes / visitantes observar tudo o que se encontra no interior do balcão. Neste caso, é o cliente que vigia o funcionário e não o contrário.

5.    Em adição aos procedimentos anteriores, poderá apostar na colocação de artigos de menor valor ou de difícil transporte nas zonas mais escondidas e de vigilância mais difícil. Este procedimento reduz as perdas quer por via do menor valor dos objectos subtraídos, quer pela impossibilidade de os ocultar e transportar para fora da loja sem que isso seja notado.

6.    Os artigos de maior valor, especialmente aqueles que têm pequenas dimensões, devem encontrar-se em expositores de fácil vigilância, fechados e o mais perto possível dos balcões de atendimento.

7.    A boa organização do seu espaço, para além de tornar a loja mais agradável, melhorará a sua capacidade de a vigiar e de notar se alguma coisa deixou de estar onde devia.

8.    Coloque o balcão de atendimento / caixa o mais perto possível da entrada para que não haja ninguém a sair da loja sem passar pelas caixas e respectivos funcionários.

9.    Em complemento destas medidas, informe-se sobre as múltiplas possibilidades tecnológicas de segurança que existem: etiquetagem electrónica, alarmes, pórticos, câmaras de vídeo. Estas soluções são ainda dispendiosas mas tenderão a tornar-se mais acessíveis com o avanço da tecnologia e o aumento da produção industrial. Mantenha-se a par das novidades e consulte especialistas para que lhe seja feito um projecto à medida das suas necessidades.

Continuaremos este elenco de boas-práticas na próxima entrada: Quebra desconhecida: Algumas medidas preventivas do furto – Parte II

Até breve!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Segurança na organização de eventos


Em mais de uma ocasião foi-me solicitado que escrevesse um pouco sobre a segurança de eventos com intuítos promocionais e comerciais de natureza diversa.
Apesar de se afastar um pouco do tema central deste blogue, a base teórica aplicada à análise de risco destes eventos é a mesma que se aplica a outras análises de risco.

Em primeiro lugar é preciso perceber o problema.

Quando se começam a colocar questões sobre as percepções do risco nesta actividade, vão-se colhendo respostas em forma de pergunta como:

"... como posso efectuar um efectivo controlo de acessos?"

"... em que medida posso condicionar o acesso de pessoas ao interior dos espaços delimitados para o evento?"

"... que critérios devo utilizar na selecção de pessoas?"

Qualquer destas questões tem um aspecto central. Todo o problema provém do  condicionamento de acessos, no seu controlo e na prevalência da tranquilidade e da ordem dentro dos espaços do evento.

A resposta a este problema passa (1) pela escolha de espaços que possam ser claramente delimitados e (2) pela implementação de medidas profissionais de controlo de acessos.

Para o primeiro aspecto concorre a boa organização do evento. O planeamento deste tipo de acontecimentos deve entender o espaço, não apenas como um recurso, mas também como um problema, ou seja, apesar do espaço dever ser atractivo para o público, também deve ter outras caracteristicas, como a facilidade de acessos, de estacionamento de viaturas, boas indicações sobre os pontos de acesso e de saída. O pessoal presente deve ter capacidade de comunicação e deve estar capacitada para resolver conflitos.

Quando tiver de escolher um local, enumere e classifique os pontos de acesso e de saída.
A classificação deve seguir uma escala de importância comercial para si sem descurar o valor dos acessos para efeitos de rápido escoamento de pessoas em caso de necessidade.

Contrate pessoal especializado para o controlo de acessos. Este ponto é importante, uma vez que o mercado de fornecimento de segurança privada ilegal é tanto ou mais dinâmico que o legal mas, naturalmente, comporta riscos enormes para os seguranças e para as pessoas que os contratam.

Se precisar de fazer controlo de acessos, certifique-se de que cumpre com a lei e opte por contratar os serviços de uma empresa que opere legalmente, munida dos competentes alvarás e com trabalhadores vinculados por contrato de trabalho e em situação regular.

Em caso de dúvida sobre a legitimidade da empresa, contacte a Polícia de Segurança Pública, entidade à qual compete, nos termos da Lei n.º 53/2007, de 31 de Agosto, o controlo, licenciamento e fiscalização da actividade de segurança privada.

Lembre-se que esta matéria é sensível e a violação da lei quer pelos seguranças, quer pelos seus contraentes é susceptivel de instauração de procedimento criminal para ambos.

Tudo o resto é comunicação e informação.

O acesso a um evento restrito faz presumir uma determinada conduta de comportamento.

Pessoas que forcem a entrada, que recusem o pagamento do valor de acesso definido e que seja explicito, que aparentem estar embriagadas, sob o efeito de drogas, apresentem indícios de anomalias psíquicas e por esses motivos possam constituir um risco para si e para os outros ou cujo estado contribua para a alteração da paz e ordem pública, podem ser excluidos de espaços condicionados.

Todavia, recomenda-se cautela e bom senso na gestão destas pessoas e aconselha-se que antes de ser necessário utilizar a força, se recorra às autoridades públicas.

Agradeço à MCG - Produções e Eventos as questões que me colocou sobre esta matéria e espero que a resposta seja útil a todos aqueles que exploram o mesmo ramo de actividade.

Até breve! 

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Quebra desconhecida: Quanto anda a perder?

Independentemente da causa, as perdas no inventário têm repercussões graves no equilíbrio financeiro das empresas.
Antes de avançar para quaisquer soluções devemos sempre tentar perceber o problema, identificando as fontes de risco e as causas da quebra.
Desfaça-se de algumas ilusões. Uma boa parte da quebra, está associada a furtos que não ocorrem nas lojas (praticados por “clientes”) mas à acção negligente ou dolosa de pessoas que estão no circuito de embalagem, transporte, distribuição, armazenagem e reposição.
A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) emitiu há já alguns anos uma recomendação com um conjunto de regras que ajudam a pôr em prática um plano de reconhecimento de riscos.
A Recomendação: como prevenir quebras desconhecidas na cadeia de abastecimento que pode ser consultada ou baixada a partir do sítio da APED, contém indicações preciosas que de seguida se sintetizam.

1. Conheça a sua quebra: reúna informação
Para conhecer a quebra a que está sujeito calcule a diferença de inventário
Ao Stock inicial subtraia o valor das saídas de produtos (vendas, devoluções a fornecedores…) e some as entradas de produtos (compras, devoluções de clientes…). O resultado será o Stock teórico.
Ao Stock teórico subtraia o Stock real para obter a diferença de inventário.
Olhe para os resultados perspectivando (1.º) a percentagem do custo das quebras relativamente ao número de vendas, valorizando as quebras de produtos a preços de custo médio e (2.º) a percentagem de unidades que faltam no total das unidades vendidas.
Quando proceder ao cálculo da diferença de inventário, reveja os seus procedimentos, de modo a evitar:
·         Enganos nos movimentos a serem considerados pelo cálculo do inventário teórico como, por exemplo, não inclusão de vendas realizadas durante a inventariação e os cálculos. Para isso, estabeleça um momento preciso para fechar a inventariação e proceder ao cálculo.
·         Analisar informação incorrecta ou incompleta, especialmente, duplicação de vendas, envios incorrectos de transacções, confusão de códigos, notas de entrega de armazém, facturas relativas a entrega nas lojas, devoluções de produtos, alterações e regularizações de preço (especialmente nas promoções e saldos), auto-consumos, entre outros.

O cálculo da diferença de inventário tornar-se-á uma ferramenta indispensável a tomar, de forma mais racional, algumas decisões importantes, sobre:
·         Revisão ou implementação de procedimentos internos
·         Adopção de medidas de segurança pontuais sobre determinados produtos, áreas da loja, pessoas, circuitos…
·         Alterações sobre a exposição dos produtos, concebendo formas mais seguras de o fazer, nomeadamente, alterando a sua localização, embalagem, disposição…

2. Conhecer os factores de risco
Já anteriormente definimos o que era a Quebra Desconhecida e indicamos o Furto externo, o Furto interno e os Erros administrativos como as causas mais comuns para a sua ocorrência.
É importante saber genericamente que existem essas fontes de risco, mas convém ser mais preciso e investir na análise do seu problema particular se quer construir uma solução à sua medida.
Quando estiver preparado para implementar medidas releia os seguintes textos deste blogue:

3. Boas práticas
Seja minucioso na gestão da informação e tente através da diferença de inventário observar quais os produtos que mais desaparecem e com que frequência. Com alguma atenção, talvez consiga mesmo identificar os períodos do dia, da semana, do mês e do ano em que o risco aumenta. Verá que vai ter uma visão precisa sobre:
·         O que atrai mais os ladrões
·         Se a disposição dos produtos na loja é correcta em função da segurança
·         A rotação do produto
·         O seu grau de perecibilidade

Utilize esta importante ferramenta para:
·         Estabelecer melhores práticas, como, a realização de uma contagem prévia sobre a localização dos produtos, sobretudo os arrumados em diferentes locais
·         Uniformizar e normalizar a metodologia da contagem e a documentação de apoio a utilizar, como sejam formulários e tabelas, entre outros
·         Aumentar o nível de precisão das categorias ou produtos que apresentem riscos mais elevados, por exemplo, conte fisicamente duas vezes os produtos e faça comprovações aleatórias da integridade dos bens.

A propósito deste tópico, recomendo ainda a leitura dos seguintes artigos:

APED:
HIPERSUPER:
RETAIL RESEARCH:

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Shrinkage: a Quebra Desconhecida


Um dos riscos da actividade comercial é identificado pelas «quebras» no inventário (stock), impedindo que os produtos transaccionáveis percorram o seu ciclo normal, sendo vendidos ao cliente e proporcionando um lucro ao vendedor.
A «quebra» é uma figura contabilística que identifica a diferença entre a facturação potencial de um determinado número de produtos em inventário e a facturação real.
As quebras podem ser conhecidas ou desconhecidas.
As quebras conhecidas são aquelas cujo motivo está identificado, podendo ocorrer, por exemplo, através da deterioração de produtos perecíveis ou da ultrapassagem dos respectivos prazos de validade que impedem a venda dos mesmos.
As quebras desconhecidas ou “Shrinkage” como também é frequente chamar-lhes, são todas as outras cuja origem não é clara, podendo ocorrer por via de:
Ø  Furto de bens ou dinheiro por parte de clientes;
Ø  Fraudes com cheques e cartões na aquisição de bens ou serviços;
Ø  Furto de bens ou dinheiro por parte de funcionários em qualquer parte do circuito de pós-produção (transporte, armazenagem ou loja);
Ø  Danos em bens destinados a venda;
Ø  Erros no fornecimento por parte dos fornecedores;
Ø  Erros gestionários (p.e. mau controlo de inventário, erros contabilísticos, etc).

Estas perdas não podem ser encaradas de forma displicente pelos comerciantes, especialmente aqueles que são independentes e gerem o seu próprio negócio sem estarem integrados em grandes redes de comércio de retalho.
Os resultados do estudo de 2010 do Barómetro Nacional da Quebra Desconhecida no Retalho (3ª edição) da Premivalor Consulting, indicam que “aproximadamente 67% das empresas inquiridas consideram que a rendibilidade das respectivas organizações é afectada pelo fenómeno da Quebra Desconhecida.”
O mesmo estudo apurou que entre as empresas inquiridas, o valor da quebra desconhecida na quebra total (a soma das perdas por quebra conhecida e por quebra desconhecida) durante 2009, foi de 58.73%, o que, sendo uma descida significativa, relativamente aos resultados de estudos anteriores, continua a representar um peso razoável nas perdas dos estabelecimentos que foram alvo desse inquérito.
Isto significa ainda que (e de acordo com o mesmo estudo) a quebra desconhecida em Portugal desceu de 1,16% (177 milhões de euros) para 1,03% do volume de vendas em 2009, representando 147 milhões de euros do valor da quebra total.
Dados recentes do Global Retail Theft Barometer (GRTB) indicam que na Europa ocidental os valores médios da quebra desconhecida caíram entre 1.40% e 1.27% entre 2000 e 2010. Estes resultados foram conseguidos através da melhoria dos processos de gestão que, por sua vez, garantiram a prevenção destas perdas.
O assunto da prevenção da quebra desconhecida é tão sério que retalhistas por todo o mundo cativam parte significativa dos seus ganhos para os investirem em segurança.
No Japão, por exemplo, sabe-se que o investimento nesta área é relativamente reduzido, mas proporcional ao baixo risco sentido nessa região do globo, representando um valor equivalente a 0.15% das vendas. No Reino Unido o investimento em 2009 foi de 0.29%, em França de 0.39% e nos Estados Unidos da América na ordem dos 0.46%.

Agora pensemos nisto:


Quer o Barómetro Nacional da Quebra Desconhecida no Retalho, quer o Global Retail Theft Barometer reflectem os problemas dos grandes retalhistas, aqueles que têm grande capacidade de investimento em segurança e que possuem ao seu alcance mecanismos mais eficientes de compensação.

E os outros?

O que vale para a prevenção da quebra desconhecida nas grandes empresas de retalho pode valer, com as devidas adaptações, para o pequeno comércio.

Os estudos existentes apontam a «boa gestão» como o aspecto essencial a considerar quando se pretende reduzir quebras e melhorar a segurança do comércio.

Não interessa adquirir todo o tipo de aparelhos, equipamentos e serviços de segurança que podem não estar adaptados às necessidades da sua actividade, sendo susceptíveis de a encarecer e ainda de afastar clientes.

As soluções de segurança, não obstante algumas regras gerais que temos abordado neste blogue, devem ser talhadas à medida das necessidades do seu destinatário.

Por isso, antes de se precipitar a comprar todo o tipo de alarmes, câmaras e serviços de vigilância, instrua-se um pouco mais, subscreva este blogue e não se prive de me enviar as suas questões.

Continuaremos este tema em breve.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Situational Crime Prevention: A Prevenção Situacional

Ao contrário da maioria das teorias da criminologia, a Situational Crime Prevention ou Prevenção Situacional (Ronald V. Clarke) como é frequentemente utilizado nos discursos em português, não se preocupa com as origens e causas do crime ou do desvio.

Nesta teoria, assume-se que as pessoas, com determinada predisposição, colocadas em circunstâncias favoráveis, tendem a romper com a norma e a cometer delitos.

Assim, a Prevenção Situacional defende que o esforço preventivo deve estar concentrado na criação de condições que inibam a predisposição e eliminem as circunstâncias espaciais e materiais favoráveis ao delito.

Basicamente, pretende-se, numa perspectiva muito prática, que o criminoso sinta que não tem condições para cometer o crime ou que, se o cometer, existe uma forte probabilidade de ser detectado (a propósito deste ponto leia Routine Activity Theory).

A Prevenção Situacional parte da análise das circunstâncias particulares de um dado tipo de crime, para conceber estratégias de redução de riscos na potencial vítima e aumento de dificuldades e riscos no potencial criminoso.

A implementação dessas estratégias preventivas incide em alterações nas políticas de gestão, caracterizando-se por uma ostensividade muito baixa e tendo como objectivo, não a penalização dos delinquentes mas a eliminação das possibilidades de ocorrência do delito.

Assim, a Prevenção Situacional pode ser aplicada a variados contextos de risco criminal por qualquer tipo de indivíduo ou organização, pública ou privada, com ou sem responsabilidades formais na segurança própria ou de outrem, porque a sua preocupação não é a da justiça mas a da prevenção pura.

A análise e métodos da Prevenção Situacional podem e devem ser utilizados de forma autónoma por todos aqueles que têm responsabilidades e interessam especialmente a empresas, estabelecimentos comerciais, escolas, infantários e jardins-de-infância, hospitais, sistemas e redes de tráfego e de transportes, parques de estacionamento, bares e discotecas, etc.

Em resumo a Prevenção Situacional visa:
  • Reduzir as oportunidades dos criminosos cometerem crimes;
  • Abalar a confiança dos criminosos relativamente ao sucesso do crime, da fuga e da possibilidade de ser identificado;
  • Tornar os alvos dos criminosos mais inacessíveis, mais arriscados e menos compensadores.
A Prevenção Situacional é uma tarefa de todos, que pode resultar:
  • Na alteração a configuração, arquitectura, iluminação ou decoração de uma sala, um edifício ou de um arruamento para o tornar mais seguro,
  • Na utilização o bom senso como forma de impedir a acção criminosa,
  • No envolvimento de colegas e vizinhos na vigilância dos valores de uso comum,
  • No trabalho em rede, procurando parceiros interessantes,
  • No adequado apoio à Polícia e na solicitação de apoio à Polícia.
A Prevenção Situacional não é:
  • O uso de armas como forma de protecção,
  • A solução para todos os problemas de um negócio,
  • Mover o fenómeno criminal para outro lado ou outra vítima,
  • Um investimento necessariamente dispendioso.

Este assunto relaciona-se com:
Saiba mais sobre Prevenção Situacional lendo:

§  Situational Crime Prevention: Successful Case Studies, Clarke, R. (ed.) Harrow and Heston, Publishers, New York, 1997


Até breve!