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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A segurança, a imagem e os negócios

O jornal O Dia online noticiou no dia 16 de Agosto de 2011 que a Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro referiu que o processo de implantação de uma nova política de segurança pública no Rio de Janeiro,  tem tido óptimas repercussões na imagem da cidade e na segurança dos cidadãos, com inequívocas vantagens para o comércio.
Presidente da Câmara Portuguesa referiu que “A insegurança afasta o capital e, antigamente, qualquer turista temia vir ao Rio. Hoje, eles mesmos dizem que a segurança mudou. O mercado está aquecido”, mostrando uma revista alemã que retratava o trabalho de policiais das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) com crianças.

Veja a notícia completa: Segurança que atrai turistas e negócios

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Situational Crime Prevention: A Prevenção Situacional

Ao contrário da maioria das teorias da criminologia, a Situational Crime Prevention ou Prevenção Situacional (Ronald V. Clarke) como é frequentemente utilizado nos discursos em português, não se preocupa com as origens e causas do crime ou do desvio.

Nesta teoria, assume-se que as pessoas, com determinada predisposição, colocadas em circunstâncias favoráveis, tendem a romper com a norma e a cometer delitos.

Assim, a Prevenção Situacional defende que o esforço preventivo deve estar concentrado na criação de condições que inibam a predisposição e eliminem as circunstâncias espaciais e materiais favoráveis ao delito.

Basicamente, pretende-se, numa perspectiva muito prática, que o criminoso sinta que não tem condições para cometer o crime ou que, se o cometer, existe uma forte probabilidade de ser detectado (a propósito deste ponto leia Routine Activity Theory).

A Prevenção Situacional parte da análise das circunstâncias particulares de um dado tipo de crime, para conceber estratégias de redução de riscos na potencial vítima e aumento de dificuldades e riscos no potencial criminoso.

A implementação dessas estratégias preventivas incide em alterações nas políticas de gestão, caracterizando-se por uma ostensividade muito baixa e tendo como objectivo, não a penalização dos delinquentes mas a eliminação das possibilidades de ocorrência do delito.

Assim, a Prevenção Situacional pode ser aplicada a variados contextos de risco criminal por qualquer tipo de indivíduo ou organização, pública ou privada, com ou sem responsabilidades formais na segurança própria ou de outrem, porque a sua preocupação não é a da justiça mas a da prevenção pura.

A análise e métodos da Prevenção Situacional podem e devem ser utilizados de forma autónoma por todos aqueles que têm responsabilidades e interessam especialmente a empresas, estabelecimentos comerciais, escolas, infantários e jardins-de-infância, hospitais, sistemas e redes de tráfego e de transportes, parques de estacionamento, bares e discotecas, etc.

Em resumo a Prevenção Situacional visa:
  • Reduzir as oportunidades dos criminosos cometerem crimes;
  • Abalar a confiança dos criminosos relativamente ao sucesso do crime, da fuga e da possibilidade de ser identificado;
  • Tornar os alvos dos criminosos mais inacessíveis, mais arriscados e menos compensadores.
A Prevenção Situacional é uma tarefa de todos, que pode resultar:
  • Na alteração a configuração, arquitectura, iluminação ou decoração de uma sala, um edifício ou de um arruamento para o tornar mais seguro,
  • Na utilização o bom senso como forma de impedir a acção criminosa,
  • No envolvimento de colegas e vizinhos na vigilância dos valores de uso comum,
  • No trabalho em rede, procurando parceiros interessantes,
  • No adequado apoio à Polícia e na solicitação de apoio à Polícia.
A Prevenção Situacional não é:
  • O uso de armas como forma de protecção,
  • A solução para todos os problemas de um negócio,
  • Mover o fenómeno criminal para outro lado ou outra vítima,
  • Um investimento necessariamente dispendioso.

Este assunto relaciona-se com:
Saiba mais sobre Prevenção Situacional lendo:

§  Situational Crime Prevention: Successful Case Studies, Clarke, R. (ed.) Harrow and Heston, Publishers, New York, 1997


Até breve!

terça-feira, 10 de maio de 2011

A segurança é o produto de um esforço colectivo

“Temos de restaurar o equilíbrio de responsabilidades entre os cidadãos e as polícias, uma vez que o controlo social eficaz não poderá ser alcançado apenas com recurso aqueles que são contratados para o efeito.”
Goldstein, H., Policing a Free Society, Ballinger Publishing, 1977


No dia 8 de Abril de 2011 o Governo Civil do Porto noticiou o seguinte:





O programa «Comércio Seguro» na Baixa do Porto, que resulta de uma parceria entre o Governo Civil, PSP e Associação dos Comerciantes do Porto, levou a uma redução “muito significativa” do número de furtos em estabelecimentos comerciais.
A reunião intercalar de acompanhamento do projecto realizou-se esta manhã e contou com a presença da governadora civil, Isabel Santos, e da secretária de Estado da Administração Interna, Dalila Araújo.
A governante classificou os resultados verificados até este momento como “muito positivos”. “Comparando Dezembro de 2009 com Dezembro de 2010 registou-se uma redução de 18% de furtos em estabelecimentos comerciais e de Dezembro de 2010 para Janeiro de 2011, a redução foi de 55%”, afirmou.
Isabel Santos faz um balanço positivo e salienta a preocupação das entidades envolvidas em “trazer gente à Baixa”. A governadora civil reforçou que se pretende, com este projecto, combater “o sentimento de insegurança, que é muito superior à insegurança em si”.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A insegurança é um problema de todos


Por via das exigências da sociedade, a Polícia multiplicou as suas funções, havendo, nos últimos anos, um grande desenvolvimento ao nível da formação, da renovação de quadros e na adopção de novas filosofias de actuação.
Na vanguarda desta alteração de visões, a Polícia de Segurança Pública adoptou para si uma Filosofia de Actuação Policial que, entre outros factores determinantes preconiza a compreensão (1) “de que o cidadão ocupa um papel central no sistema de segurança interna (…) devendo as autoridades estimular a participação destes nas acções de prevenção da criminalidade” e (2) “de que o combate à criminalidade é pluri-vectorial e não apenas uma questão de eficácia da polícia, compreendendo, a par de questões de natureza operacional, questões de natureza política, institucional, jurídica e social.”
O primeiro aspecto diz-nos que a Polícia tem o dever de reconhecer a intervenção do cidadão como essencial à segurança interna e, por isso, deve de trabalhar junto dele e motivá-lo a participar activamente nas tarefas de prevenção criminal.
Em segundo lugar, refere-se que o combate à criminalidade não cabe apenas à Polícia, é uma responsabilidade de todos os indivíduos e instituições, sejam elas públicas ou privadas.
A propósito da partilha de responsabilidades, Herman Goldstein referiu na sua obra Policing a Free Society, editada em 1977 pela Ballinger Publishing que “temos de restaurar o equilíbrio de responsabilidades entre os cidadãos e as polícias, uma vez que o controlo social eficaz não poderá ser alcançado apenas com recurso aqueles que são contratados para o efeito.”
A Polícia tem um duplo papel. Uma vertente preventiva da criminalidade que se consubstancia com o policiamento proactivo e com o contacto pedagógico com os cidadãos e instituições, ainda que não exista qualquer ocorrência delituosa. Uma segunda vertente eminentemente repressiva, quando se encarrega de actuar contra os factores de geração de insegurança.
O papel repressivo da polícia apenas faz sentido quando todos os níveis e instituições na sociedade livre já falharam ou foram ultrapassadas.
O envolvimento da comunidade na educação para a profilaxia da delinquência, auto - protecção e prevenção da criminalidade é essencial para a tarefa comum de manter a nossa sociedade segura, livre e próspera.
A propósito do aumento da criminalidade violenta e do sentimento de insegurança nos Estados Unidos da América, a revista Policy Review, n.º 74, de 1995, publicou o artigo The Beat Generation: Community Policing at its Best de dois especialistas de política e de economia, William D. Eggers e John O'Leary, que referia o seguinte:

“Até que os bairros se tornem novamente seguros, não poderão prosperar económica ou socialmente. Esperar que o Governo melhore a situação é adoptar uma estratégia, à partida, derrotada. As pessoas têm de se envolver mais no processo de garantir a sua própria segurança.”

Os mesmos autores acrescentaram:

“Diz-se que para cada problema difícil existe uma solução simples e elegante que está errada. Para a questão da criminalidade a resposta simples é ‘Precisamos de mais polícias e precisamos de mais prisões’. Apesar de ser extremamente popular (...) entre os políticos, esta abordagem acrescentará muito pouco à melhoria da segurança pública.
A melhor força policial do mundo não pode tornar segura uma comunidade na qual as pessoas não possuem qualquer consideração pelas vidas e propriedade das outras. Não existe qualquer dúvida de que a penalização rápida e correcta da actividade criminal é uma componente importante de uma política de segurança eficaz.
Todavia, a melhor defesa contra o crime não é a frágil barreira proporcionada pela Polícia, mas uma comunidade de indivíduos que se respeitem mutuamente.”

Construir a segurança está nas mãos de cada um de nós e esta é uma causa que merece o nosso envolvimento.
Seja agindo preventivamente para reduzir os nossos próprios riscos de vitimação, seja apoiando a comunidade ou exigindo das estruturas políticas, da Administração e das entidades privadas, medidas adequadas a prevenir a criminalidade, a delinquência ou outras formas de conduta anti-social, cada um de nós tem de estar envolvido e empenhado.

Até breve