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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Uma história cultural do furto



Em Junho do corrente ano de 2011 a editora Penguin, publicou um livro intitulado The Steal: A Cultural History of Shoplifting.

A autora desta obra de 272 páginas,
Rachel Shteir é uma professora universitária de arte dramática, alvo de amores e ódios expressos numa viva contestação dos seus alunos da DePaul University de Chicago. Paralelamente, é autora de outras obras e assina várias rúbricas em diversos jornais e revistas norte-americanas de relevo.

O livro The Steal foi considerado pela crítica como a primeira obra verdadeiramente séria que aborda a história dos furtos em estabelecimentos comerciais, no inglês simplesmente: shoplifting.

Não sei se se poderá ir tão longe.

O tema do shoplifting tem sido amplamente estudado por polícias, juristas, antropólogos, sociólogos, psicólogos e criminologistas, todavia, a maioria desses estudos contêm abordagens científicas e técnicas pouco vocacionadas a garantir sucessos comerciais nas bancas e livrarias, apesar da sua leitura ser perfeitamente acessível ao comum dos mortais.

The Steal não se trata propriamente de uma obra que nos permita encarar, analisar racional ou cientificamente o fenómeno do shoplifting, encontrando uma receita para a sua resolução, mas, pelos vistos, também não tem essa pretensão.

Escrito num estilo que se situa entre o jornalismo e a escrita ficcional detectivesca, a autora procede ao relato salpicado de cenários exemplificativos que nos leva à explosão urbanística e demográfica da cidade de Londres no período anterior ao século XIX e procede daí para a Europa continental, onde foram criadas as primeiras galerias comerciais.

Entretanto, vão surgindo algumas confusões entre o fenómeno do simples shoplifting com a sua forma mórbida, a
cleptomania.

Nos anos 60 do século passado, este tipo de furtos é, de acordo com a autora, carregado com um simbolismo político muito próprio dos movimentos alternativos e de contestação surgidos naquela década nos Estados Unidos e na Europa com especial destaque para a França.

Terá o shoplifting passado a ser considerado, neste contexto, como um acto de rebeldia juvenil ou geracional contra um sistema?

É no culminar dessa década que
Abbie Hoffman publica um livro intitulado Steal This Book (1971), invocando no título aquele acto, não como um simples desvio à ordem social, mas como um manifesto contra essa ordem social.


Todo esse livro (que já não precisa de subtrair da loja, podendo fazer o seu download carregando aqui), é um manual prático, não sobre shoplifting, mas sobre irreverência, rebeldia e luta anti-sistema.

Hoje, muitos estudiosos e analistas olham para este tipo de furtos como uma resposta epidémica a uma cultura de consumo que ultrapassou todos os limites e que se entranhou em todos, mesmo aqueles que não têm recursos para a aquisição legítima.

A questão já não está no "poder ter". Trata-se mais do "ter de ter", independentemente de poder ter legitimamente.


Sem ser uma obra-prima, The Steal é um livro interessante do prisma ilustrativo que pode merecer uma leitura, especialmente daqueles que trabalham no ramo do comércio e querem ampliar os seus horizontes.

Deixo-vos com os detalhes da obra, para que a possam encontrar ou encomendar:

Título: The Steal: A Cultural History of Shoplifting Autor: Rachel Shteir
Editora: The Penguin Press HC
Qualificação: Não ficção / Documentário
Data: 30 Junho de 2011
Extensão: 272 páginas
Língua: Inglês

ISBN-10: 1594202974
ISBN-13: 978-1594202971

Desde a sua publicação até ao presente momento (cerca de 4 meses) o seu preço de capa variou entre quase $ 30 US (dólares americanos) e cerca de $ 10 US (fonte: Amazon e Ebay).

Saiba mais sobre esta obra e a sua autora, consultando as seguintes ligações:
Daily Finance

Aguardo os seus comentários.

Até breve!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Quebra desconhecida: Algumas medidas preventivas do furto – Parte II

Na sequência da última entrada com o mesmo título, irei continuar o elenco de algumas práticas úteis à prevenção dos furtos nas lojas.

O seu pessoal é um recurso imprescindível na prevenção de furtos nas suas lojas. Aposte na sua motivação e mantenha-os informados e formados. Vai necessitar de funcionários profissionais e competentes: a simpatia, a capacidade de interagir de imediato com o cliente mostrando-se disponível, atento e assistindo-o sem ser demasiado ostensivo, são qualidades inestimáveis que inibem a maior parte das condutas lesivas para o seu negócio.

Esforce-se por implementar ainda as seguintes medidas em complemento das 9 anteriormente referidas:

10. Inclua nas suas políticas internas um conjunto de regras sobre o atendimento ao público e alerte frequentemente os seus funcionários para a importância da prevenção de furtos no interior da loja.

11. O seu pessoal deve olhar francamente para os clientes que entram na loja, deve cumprimentá-los e apresentar-se de forma simpática. Esta postura significa “boas-vindas!”, mas também indica que o cliente não passou despercebido.

12. Para ajudar os seus funcionários nesta tarefa, coloque uma campainha ou sinal luminoso e/ou sonoro que marque cada nova entrada no seu estabelecimento. Esse sinal servirá como alerta para ambos (funcionários e clientes).

13. Ao lado da porta pinte ou coloque uma régua. Não precisa de a marcar metricamente, ela servirá apenas de referência visual. Em caso de necessidade, o momento do contacto visual com o cliente à entrada, juntamente com esta referência, apoiarão um retrato falado do suspeito. Se o seu funcionário olhou para o cliente quando este passava junto da porta, conseguirá mais facilmente indicar qual era a sua estatura.

14. Os funcionários deverão estar sempre a par dos valores da mercadoria. Esta noção ajudará a detectar a troca de preços porque no momento do registo, o empregado que conhecer os preços irá notar que algo não está correcto.

15. Lembre-se sempre que a sua prioridade é a prevenção e não o "combate ao crime", releia a entrada Como reagir em caso de assalto? e instrua correctamente os seus funcionários para que saibam exactamente o que fazer sem terem de se colocar em risco.

A propósito desta temática consulte ainda:

Situational Crime Prevention: A Prevenção Situacional
Routine Activity Theory
A ocasião faz o ladrão
Hot Products
O que desaparece da minha loja?
Shrinkage: A Quebra Desconhecida
Quebra Desconhecida: Quanto anda a perder
Quebra Desconhecida: Como reduzir a quebra nos inventários
Quebra desconhecida: Algumas medidas preventivas do furto – Parte I

Aguardo os seus comentários e as suas questões.

Até breve!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quebra desconhecida: Algumas medidas preventivas do furto – Parte I



Retomemos o tema da Quebra Desconhecida, no seguimento dos posts anteriores:


Aplicando os princípios da Prevenção Situacional poderemos com relativa facilidade implementar medidas preventivas de furto na sua loja. As medidas que irei sugerir passam, essencialmente, pela disposição escolhida para os expositores de produtos, implementação de medidas simples para a melhoria da vigilância da loja e formação dos funcionários para o atendimento ao público.

Neste caso, aplicar os conhecimentos da Prevenção Situacional significa (1) reduzir as oportunidades para a ocorrência dos furtos, (2) aumentar a dificuldade e o risco das tentativas de furto, especialmente dos artigos de maior valor, (3) reduzir as recompensas da prática do furto, (4) abalar a confiança dos criminosos, relativamente ao sucesso da conduta criminosa.

Passemos em revista algumas boas-práticas de prevenção:

1.    Já referi anteriormente que a disposição de cada elemento, mobiliário, expositor, artigo na loja, é essencial a garantir a melhoria da capacidade de vigilância do espaço. Um espaço bem desenhado, estruturado e arrumado não elimina os riscos mas contribui substancialmente para a sua redução. O ideal é ter o centro da loja desimpedido, mas sendo a tarefa difícil, tente organizar o espaço de molde a obter corredores mais curtos e mais largos. Isto facilitará a vigilância desses espaços e colocará pessoas mal-intencionadas numa situação menos confortável para furtarem artigos.

2.    Uma boa iluminação dos espaços é também útil para dificultar o furto. Apesar de ser importante garantir a uniformidade de iluminação em todo o espaço, em caso de dificuldade, aposte essencialmente na iluminação de pontos de menor visibilidade.

3.    Expositores especiais e promocionais devem ser colocados em planos baixos em pontos centrais da loja para que possam ser apreciados sem que perturbem a visibilidade dos funcionários em relação a outras áreas do estabelecimento.

4.    A utilização de espelhos colocados em pontos altos e incidindo sobre “zonas mortas”, acrescenta capacidade de vigilância sobre espaços de difícil controlo sem que os funcionários se tenham de deslocar sistematicamente. Existe uma loja de marca que utiliza um décor-tipo que inclui a colocação de espelhos, todavia, do prisma de segurança, essa empresa quebra todas as regras em nome da estética: coloca esses espelhos (sempre grandes e com moldura) por detrás dos balcões de atendimento, permitindo aos clientes / visitantes observar tudo o que se encontra no interior do balcão. Neste caso, é o cliente que vigia o funcionário e não o contrário.

5.    Em adição aos procedimentos anteriores, poderá apostar na colocação de artigos de menor valor ou de difícil transporte nas zonas mais escondidas e de vigilância mais difícil. Este procedimento reduz as perdas quer por via do menor valor dos objectos subtraídos, quer pela impossibilidade de os ocultar e transportar para fora da loja sem que isso seja notado.

6.    Os artigos de maior valor, especialmente aqueles que têm pequenas dimensões, devem encontrar-se em expositores de fácil vigilância, fechados e o mais perto possível dos balcões de atendimento.

7.    A boa organização do seu espaço, para além de tornar a loja mais agradável, melhorará a sua capacidade de a vigiar e de notar se alguma coisa deixou de estar onde devia.

8.    Coloque o balcão de atendimento / caixa o mais perto possível da entrada para que não haja ninguém a sair da loja sem passar pelas caixas e respectivos funcionários.

9.    Em complemento destas medidas, informe-se sobre as múltiplas possibilidades tecnológicas de segurança que existem: etiquetagem electrónica, alarmes, pórticos, câmaras de vídeo. Estas soluções são ainda dispendiosas mas tenderão a tornar-se mais acessíveis com o avanço da tecnologia e o aumento da produção industrial. Mantenha-se a par das novidades e consulte especialistas para que lhe seja feito um projecto à medida das suas necessidades.

Continuaremos este elenco de boas-práticas na próxima entrada: Quebra desconhecida: Algumas medidas preventivas do furto – Parte II

Até breve!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Quebra desconhecida: Como reduzir a quebra nos inventários



Já aqui falámos de “shrinkage” ou “quebra desconhecida” e de como fazer uma análise das suas perdas.

Hoje abordaremos algumas práticas que, quando bem aplicadas, tendem a reduzir a quebra.

Em primeiro lugar, convença-se que os seus clientes não são necessariamente os seus maiores adversários e, portanto, quando implementar medidas de prevenção não pense unicamente neles.

Alguns exemplos para justificar a ampliação da nossa visão sobre o problema:

1 – O Barómetro Nacional da Quebra Desconhecida, na sua edição de 2010 apurou que nas superfícies em análise, os clientes representaram 50,50% das fontes de quebra, sendo que os funcionários se lhes seguiram na percentagem de 23,14%. Os erros contabilísticos representam cerca de 6% das quebras.

2 – Dados de Novembro de 2009 do Centre for Retail Research indicaram que 34,4% dos furtos de stock são praticados por funcionários.

3 – O Global Retail Theft Barometer de 2009, também identifica os funcionários como responsáveis por 35.5% das perdas.

4 – No resumo do Global Retail Theft Barometer de 2010 podemos perceber que embora o volume de furtos praticados por clientes seja mais massificado e corresponda a um maior volume da quebra (quer em artigos, quer em valores), o valor dos bens subtraídos por funcionários costumam ser substancialmente superiores… cerca de 10 vezes mais.

5 – Nos Estados Unidos da América estima-se que a quebra devida à acção dos funcionários seja na ordem dos 44%, sendo frequentemente apontada como a primeira das causas de quebra nos stocks.

Estes dados poderão tê-lo surpreendido um pouco ou talvez já tenha tido uma experiência constrangedora que os comprova.

Todavia, não vale a pena ficar desconfiado relativamente a todos quantos trabalham consigo ou visitam o seu estabelecimento enquanto clientes.

Existem muitas causas para a ocorrência destes episódios infelizes, mas há que relativizá-los e passar à acção.

O que fazer?

Crie regras claras de funcionamento para o seu estabelecimento e certifique-se que os seus funcionários conhecem e seguem as suas políticas internas.

Não vá longe demais. Antes de começar a estabelecer regras demasiado rígidas para os seus funcionários (algo que pode ser contra producente), conheça a lei para saber com exactidão até onde pode ir e tente sempre agir fazendo uso da melhor ferramenta de gestão de sempre: o bom senso.

Não perca de vista que os seus funcionários são o seu recurso mais valioso e, de facto, aquelas percentagens que referimos e que o poderão ter assustado, referem-se essencialmente a grandes superfícies e cadeias, onde o número de empregados é grande, a mobilidade enorme e as ligações entre os funcionários, as empresas e os respectivos empregadores são ténues - sem laços não há lealdade!

Compreenda que, não há melhor segurança do que aquela que é proporcionada por um empregado que se sente parte da casa e que "veste a camisola". Por isso, faça o que estiver ao seu alcance para atingir esse primeiro objectivo: mais do que um patrão, torne-se um líder e ganhe a adesão voluntária dos seus funcionários. A chave está na comunicação e partir daí, tudo será mais fácil.

Sendo essencial manter o controlo da actividade na loja, comece por criar uma “política” para o funcionamento do seu estabelecimento.

A sua política será o conjunto de regras / protocolos / automatismos / procedimentos que estabelecer para a sua loja e que deverão ser aplicados por todos os seus funcionários para que os problemas se resolvam sem que tenha de ser chamado a intervir em tudo.

1 – Crie regras claras relativamente às consequências das condutas dos funcionários

Para além de questões relacionadas com a relação com os clientes, normas para o atendimento, informações e reclamações e, sem prejuízo das normas gerais relativas ao Direito do Trabalho e as que possam ser legalmente incluídas nos contratos de trabalho, estabeleça regras claras relativamente às consequências do furto, fraude, abuso de confiança, burla ou outras condutas quando sejam praticadas por funcionários.

Explique clara e detalhadamente que qualquer conduta lesiva da propriedade da empresa constitui, para além de qualquer outra previsão legal, uma infracção susceptível de ser penalizada com o justo despedimento.

2 – Utilize a caixa ou o ponto de venda electrónico (POS) como equipamento de controlo

Reveja diariamente as transacções e procure indícios de condutas suspeitas: aberturas excessivas da caixa, que possam ter sido desnecessárias ou injustificadas.

Verifique se existem devoluções de pequenos montantes ou de montantes que não correspondem a nenhum artigo da loja.

Verifique cada estorno executado e confronte-o com a existência do produto em stock.

Caso tenha a sua loja informatizada ou pretenda informatizá-la, utilize sempre equipamentos e software que exija a identificação do utilizador. Distribua senhas secretas para uso individual para cada funcionário e responsabilize-os pela sua utilização.

Caso tenha vários funcionários e um gerente de loja, deve ser apenas este último a responsabilizar-se por estornos ou devoluções.

Estude as suas margens de lucro e conheça os produtos recordistas de venda e aqueles que mais desaparecem. Procure perceber porque é que esses fenómenos acontecem.

3 – Instale dispositivos de vigilância

Sempre que se fala de segurança, fala-se de videovigilância, alarmes e pórticos. Todos esses dispositivos são bons, mas não faz sentido desatar a comprar tudo o que vai aparecendo de novidades tecnológicas.

Um especialista em equipamentos de segurança sério e credível não lhe impingirá tudo o que tiver em armazém. Contrariamente, aconselhá-lo-á a obter uma solução comedida e exactamente à medida das suas necessidades.

Por outro lado, “dispositivo de vigilância” não é sinónimo de alta tecnologia.

Na maioria dos casos, espelhos bem colocados poderão resolver a grande maioria das necessidades de vigilância de um estabelecimento comercial. Falaremos desses meios simples em breve.

Caso opte pela instalação de sistemas de videovigilância, lembre-se de colocar os dispositivos de gravação fora da loja.

Recordo-me de um caso em que numa loja acabada de abrir que possuía um sistema de videovigilância topo de gama, muito dispendioso e sofisticado. Os assaltantes arrombaram as montras de vidro, levaram o material dos expositores, as câmaras e o computador que recebia e gravava as imagens e que estava instalado no balcão de atendimento.

O furto do equipamento de videovigilancia comportou perdas superiores ao do restante material!

Sabe-se que a mera existência de câmaras de filmar visíveis, tem um efeito dissuasor. Em certos casos até se colocam monos, ou seja, imitações de câmaras de filmar que nada filmam.

Todavia, também é verdade que o efeito dissuasor tende a dissipar-se com o tempo e a habituação.

É conveniente observar periodicamente as gravações, especialmente se suspeitar de alguma coisa.

Recorde-se que a instalação de câmaras apenas deve ter como objectivo a prevenção do crime e o apoio à sua investigação.

Informe-se bem sobre esta matéria, consulte um jurista e respeite sempre a lei, quer na instalação de vigilância desta natureza, quer na utilização das imagens.

As penalidades para infracções por instalação e utilização ilegítima de videovigilância podem ser pesadas e revestir contra-ordenações ou penas de prisão.

4 – Seleccione bem e forme melhor

Como já referido, não há melhor segurança do que aquela que é proporcionada por um empregado que se sente parte da casa e que "veste a camisola".
Invista o tempo necessário a escolher os funcionários certos para a sua empresa.

Não tenha apenas critérios financeiros e lembre-se que a precariedade impede a criação de ligações e a falta de ligações impedirá a constituição de equipas. Pense bem antes de contratar e contrate correctamente.

Uma vez contratados, os funcionários devem ter informação e formação. Isto é também um investimento.

Antes de terminar, mais uma dica:

A sua presença é indispensável.

Não deixe o seu negócio unicamente nas mãos dos outros.

Se não tem tempo para ir à loja e não tem ninguém que trate disso por si, talvez deva repensar o seu ramo de actividade.

Como diz o ditado, “patrão fora… “

A propósito deste tema recomendo a leitura das seguintes ligações:

Recomendo ainda que releia as seguintes mensagens:



Até breve!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Quebra desconhecida: Quanto anda a perder?

Independentemente da causa, as perdas no inventário têm repercussões graves no equilíbrio financeiro das empresas.
Antes de avançar para quaisquer soluções devemos sempre tentar perceber o problema, identificando as fontes de risco e as causas da quebra.
Desfaça-se de algumas ilusões. Uma boa parte da quebra, está associada a furtos que não ocorrem nas lojas (praticados por “clientes”) mas à acção negligente ou dolosa de pessoas que estão no circuito de embalagem, transporte, distribuição, armazenagem e reposição.
A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) emitiu há já alguns anos uma recomendação com um conjunto de regras que ajudam a pôr em prática um plano de reconhecimento de riscos.
A Recomendação: como prevenir quebras desconhecidas na cadeia de abastecimento que pode ser consultada ou baixada a partir do sítio da APED, contém indicações preciosas que de seguida se sintetizam.

1. Conheça a sua quebra: reúna informação
Para conhecer a quebra a que está sujeito calcule a diferença de inventário
Ao Stock inicial subtraia o valor das saídas de produtos (vendas, devoluções a fornecedores…) e some as entradas de produtos (compras, devoluções de clientes…). O resultado será o Stock teórico.
Ao Stock teórico subtraia o Stock real para obter a diferença de inventário.
Olhe para os resultados perspectivando (1.º) a percentagem do custo das quebras relativamente ao número de vendas, valorizando as quebras de produtos a preços de custo médio e (2.º) a percentagem de unidades que faltam no total das unidades vendidas.
Quando proceder ao cálculo da diferença de inventário, reveja os seus procedimentos, de modo a evitar:
·         Enganos nos movimentos a serem considerados pelo cálculo do inventário teórico como, por exemplo, não inclusão de vendas realizadas durante a inventariação e os cálculos. Para isso, estabeleça um momento preciso para fechar a inventariação e proceder ao cálculo.
·         Analisar informação incorrecta ou incompleta, especialmente, duplicação de vendas, envios incorrectos de transacções, confusão de códigos, notas de entrega de armazém, facturas relativas a entrega nas lojas, devoluções de produtos, alterações e regularizações de preço (especialmente nas promoções e saldos), auto-consumos, entre outros.

O cálculo da diferença de inventário tornar-se-á uma ferramenta indispensável a tomar, de forma mais racional, algumas decisões importantes, sobre:
·         Revisão ou implementação de procedimentos internos
·         Adopção de medidas de segurança pontuais sobre determinados produtos, áreas da loja, pessoas, circuitos…
·         Alterações sobre a exposição dos produtos, concebendo formas mais seguras de o fazer, nomeadamente, alterando a sua localização, embalagem, disposição…

2. Conhecer os factores de risco
Já anteriormente definimos o que era a Quebra Desconhecida e indicamos o Furto externo, o Furto interno e os Erros administrativos como as causas mais comuns para a sua ocorrência.
É importante saber genericamente que existem essas fontes de risco, mas convém ser mais preciso e investir na análise do seu problema particular se quer construir uma solução à sua medida.
Quando estiver preparado para implementar medidas releia os seguintes textos deste blogue:

3. Boas práticas
Seja minucioso na gestão da informação e tente através da diferença de inventário observar quais os produtos que mais desaparecem e com que frequência. Com alguma atenção, talvez consiga mesmo identificar os períodos do dia, da semana, do mês e do ano em que o risco aumenta. Verá que vai ter uma visão precisa sobre:
·         O que atrai mais os ladrões
·         Se a disposição dos produtos na loja é correcta em função da segurança
·         A rotação do produto
·         O seu grau de perecibilidade

Utilize esta importante ferramenta para:
·         Estabelecer melhores práticas, como, a realização de uma contagem prévia sobre a localização dos produtos, sobretudo os arrumados em diferentes locais
·         Uniformizar e normalizar a metodologia da contagem e a documentação de apoio a utilizar, como sejam formulários e tabelas, entre outros
·         Aumentar o nível de precisão das categorias ou produtos que apresentem riscos mais elevados, por exemplo, conte fisicamente duas vezes os produtos e faça comprovações aleatórias da integridade dos bens.

A propósito deste tópico, recomendo ainda a leitura dos seguintes artigos:

APED:
HIPERSUPER:
RETAIL RESEARCH:

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Shrinkage: a Quebra Desconhecida


Um dos riscos da actividade comercial é identificado pelas «quebras» no inventário (stock), impedindo que os produtos transaccionáveis percorram o seu ciclo normal, sendo vendidos ao cliente e proporcionando um lucro ao vendedor.
A «quebra» é uma figura contabilística que identifica a diferença entre a facturação potencial de um determinado número de produtos em inventário e a facturação real.
As quebras podem ser conhecidas ou desconhecidas.
As quebras conhecidas são aquelas cujo motivo está identificado, podendo ocorrer, por exemplo, através da deterioração de produtos perecíveis ou da ultrapassagem dos respectivos prazos de validade que impedem a venda dos mesmos.
As quebras desconhecidas ou “Shrinkage” como também é frequente chamar-lhes, são todas as outras cuja origem não é clara, podendo ocorrer por via de:
Ø  Furto de bens ou dinheiro por parte de clientes;
Ø  Fraudes com cheques e cartões na aquisição de bens ou serviços;
Ø  Furto de bens ou dinheiro por parte de funcionários em qualquer parte do circuito de pós-produção (transporte, armazenagem ou loja);
Ø  Danos em bens destinados a venda;
Ø  Erros no fornecimento por parte dos fornecedores;
Ø  Erros gestionários (p.e. mau controlo de inventário, erros contabilísticos, etc).

Estas perdas não podem ser encaradas de forma displicente pelos comerciantes, especialmente aqueles que são independentes e gerem o seu próprio negócio sem estarem integrados em grandes redes de comércio de retalho.
Os resultados do estudo de 2010 do Barómetro Nacional da Quebra Desconhecida no Retalho (3ª edição) da Premivalor Consulting, indicam que “aproximadamente 67% das empresas inquiridas consideram que a rendibilidade das respectivas organizações é afectada pelo fenómeno da Quebra Desconhecida.”
O mesmo estudo apurou que entre as empresas inquiridas, o valor da quebra desconhecida na quebra total (a soma das perdas por quebra conhecida e por quebra desconhecida) durante 2009, foi de 58.73%, o que, sendo uma descida significativa, relativamente aos resultados de estudos anteriores, continua a representar um peso razoável nas perdas dos estabelecimentos que foram alvo desse inquérito.
Isto significa ainda que (e de acordo com o mesmo estudo) a quebra desconhecida em Portugal desceu de 1,16% (177 milhões de euros) para 1,03% do volume de vendas em 2009, representando 147 milhões de euros do valor da quebra total.
Dados recentes do Global Retail Theft Barometer (GRTB) indicam que na Europa ocidental os valores médios da quebra desconhecida caíram entre 1.40% e 1.27% entre 2000 e 2010. Estes resultados foram conseguidos através da melhoria dos processos de gestão que, por sua vez, garantiram a prevenção destas perdas.
O assunto da prevenção da quebra desconhecida é tão sério que retalhistas por todo o mundo cativam parte significativa dos seus ganhos para os investirem em segurança.
No Japão, por exemplo, sabe-se que o investimento nesta área é relativamente reduzido, mas proporcional ao baixo risco sentido nessa região do globo, representando um valor equivalente a 0.15% das vendas. No Reino Unido o investimento em 2009 foi de 0.29%, em França de 0.39% e nos Estados Unidos da América na ordem dos 0.46%.

Agora pensemos nisto:


Quer o Barómetro Nacional da Quebra Desconhecida no Retalho, quer o Global Retail Theft Barometer reflectem os problemas dos grandes retalhistas, aqueles que têm grande capacidade de investimento em segurança e que possuem ao seu alcance mecanismos mais eficientes de compensação.

E os outros?

O que vale para a prevenção da quebra desconhecida nas grandes empresas de retalho pode valer, com as devidas adaptações, para o pequeno comércio.

Os estudos existentes apontam a «boa gestão» como o aspecto essencial a considerar quando se pretende reduzir quebras e melhorar a segurança do comércio.

Não interessa adquirir todo o tipo de aparelhos, equipamentos e serviços de segurança que podem não estar adaptados às necessidades da sua actividade, sendo susceptíveis de a encarecer e ainda de afastar clientes.

As soluções de segurança, não obstante algumas regras gerais que temos abordado neste blogue, devem ser talhadas à medida das necessidades do seu destinatário.

Por isso, antes de se precipitar a comprar todo o tipo de alarmes, câmaras e serviços de vigilância, instrua-se um pouco mais, subscreva este blogue e não se prive de me enviar as suas questões.

Continuaremos este tema em breve.